CEU IV: uma história de luta estudantil na UFG
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Por quase três décadas, um sobrado localizado no Setor Sul, em Goiânia, constituído em Moradia Estudantil Universitária, acolheu gerações de estudantes da UFG, acompanhou transformações na política de assistência estudantil e contribuiu para a construção de trajetórias acadêmicas de dezenas de moradores(as).
Sua história remonta à década de 1990, período em que a UFG contava com apenas duas casas de estudantes e ainda não existiam políticas públicas consolidadas de Assistência Estudantil no país. Foi nesse contexto que estudantes, politicamente organizados, ocuparam um imóvel pertencente à empresa pública PRODAGO que se encontrava desocupado à época.
A iniciativa dos estudantes representava uma resposta concreta à necessidade de ampliar as condições de permanência na universidade, sendo uma reivindicação legítima do movimento de moradia estudantil.
O imóvel chegou a abrigar 14 estudantes e, aproximadamente oito anos depois, os primeiros contratos de comodato foram firmados entre a UFG e a empresa. O comodato é uma modalidade de empréstimo gratuito de um bem, por prazo determinado ou indeterminado, em que o proprietário cede seu uso a outra instituição, mantendo a titularidade do imóvel. Nesse caso, a PRODAGO permaneceu como proprietária do sobrado, enquanto a UFG assumiu sua utilização e manutenção para fins de moradia estudantil. Os contratos foram sucessivamente renovados, formalizando uma parceria que se estendeu por 28 anos.
Ao longo desse período, a CEU IV integrou o Programa de Moradia Estudantil da universidade, oferecendo acolhimento a estudantes de baixa renda encaminhados(as) pela PRAE.
Em 2009, a inauguração da Casa de Estudantes Universitários V, no Campus Samambaia, com capacidade para 150 moradores, marcou uma nova etapa da política de assistência estudantil da UFG. A ampliação das vagas permitiu que a CEU IV adequasse gradualmente à sua capacidade de atendimento, reduzindo de doze para oito o número de estudantes moradores, priorizando melhores condições de habitabilidade e adequando a ocupação às características do imóvel.
A UFG realizou intervenções e melhorias no imóvel, buscando garantir melhores condições de moradia, ainda que as possibilidades de reformas estruturais fossem limitadas, uma vez que a casa não integrava o patrimônio da instituição, o que restringia a realização de investimentos de maior porte.
Nos últimos anos, a casa acolheu, em média, seis estudantes. Desde 2024, todos os moradores eram estudantes indígenas. Embora a CEU IV não tenha sido criada originalmente com essa finalidade, a PRAE passou a priorizar esse público, considerando as demandas existentes e as transformações ocorridas no Programa de Moradia Estudantil.
No segundo semestre de 2026, o imóvel deixará de ter a finalidade de moradia estudantil mantida pela UFG, em razão da impossibilidade de renovação do comodato, informada pelo liquidante da empresa proprietária, a qual solicitou a sua imediata devolução. A PRODAGO formalizou a solicitação, em caráter improrrogável. A formalização da solicitação pela empresa à UFG ocorreu em fevereiro deste ano, quando em negociação entre as partes, ficou acordado que seria prorrogado até o final do primeiro semestre letivo de 2026.
Desde maio, a PRAE vem conduzindo o processo de desocupação em diálogo com os(as) moradores(as) da casa, apresentando alternativas de atendimento e assegurando que todos(as) tenham condições de continuidade da sua trajetória acadêmica, seja por meio do encaminhamento para outras moradias estudantis, seja por meio da Bolsa Moradia, observadas as regras da política de assistência estudantil.
A UFG tem buscado fortalecer sua política de moradia estudantil em estruturas próprias e mais adequadas às necessidades dos(as) estudantes. Desde o ano de 2018 foram feitos importantes reajustes dos valores das bolsas estudantis, incluindo aquelas vinculadas ao programa de moradia. Nesse intervalo de tempo dobrou o número de atendimentos na bolsa moradia e investiu cerca de seis milhões em reformas, manutenções, ampliações, construções, aquisições e melhorias nas estruturas das três casas estudantis próprias.
A devolução peremptória do imóvel, que implica no encerramento da CEU IV, não apaga a sua história. Durante todos estes anos, a casa foi espaço de convivência, acolhimento, construção de projetos de vida e realização de sonhos na educação superior. Seu legado permanece na memória dos(as) estudantes que ali viveram e na trajetória da assistência estudantil da UFG.